sábado, 29 de agosto de 2009


Porque conto eu só sentimento se não sou só feito dele?

Era eu (mais) piqueno e desenhava.me cientista, de quimico-fisico-sabia la eu.


Não sabia mas sabia-me seguro de adorar o raciocínio, a beleza irrefutável do círculo.

Agora o círculo não é mais a forma de arestas infinitas, é círculo de côr.

Talvez o facto de 1+2 ser 3 em todo o meu mundo conhecido me desse a segurança

de conhecer o que me esperava.

Talvez seja altura de voltar.


Não é hora de decidir, é só uma hora nostálgica.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Punha-se a tarde, parei para tentar preencher linhas do meu caderno.
Decidi que era vazio escrever sem ter o que dizer.

Agora escrevo porque o acaso,
seja o que fôr que lhe chamemos,
tem uma forma engraçada.

Aparece quando tem vontade,
faz por vezes parecer que a nossa própria vontade se torna a dele.

Assim encontrou.me uma ligação que me é aconchegante, por acaso querendo eu tambem encontra.la.

domingo, 7 de junho de 2009

(a alegria) cá pôs o seu pezinho

Respirar as ruas, isso posso agora.
Não há nada que não seja possível, se houver o tempo.

Cheirou.me a Lisboa. Pões o pé cá, e trazes contigo os cheiros e as imagens.

E de manha já o ar era inodoro.
Mas é do tempo, ainda não o é.

segunda-feira, 9 de março de 2009

"Se eu contar chamam-me mentiroso, a terra vibra como continua a vibrar a corda
que já deixou de ouvir-se, sente-a Pedro Orce nas solas dos pés, continua a senti-la
quando sai da farmácia para a rua, e ninguém ali dá por nada, é como estar a mirar uma estrela, dizer, Que linda luz, que formoso astro, e não poder saber que ela se apagou no meio da frase, hão-de os filhos e os netos repetir as palavras, pobres deles, falam do que está morto e chamam-lhe vivo"

José Saramago



Sentiu, bruscamente, aquilo que ninguém sentiu.
Daí foi flutuando a jangada, de pedra formada, à deriva.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Há dias em que estou tão cheio de qualquer coisa indefinível,
de qualquer sensação, que me julgo no dever de o escrever.
E julgo esse sentir tão importante, que o quero misturar em metáforas
e flores, dar voltas às dores e alegrias de histórias (vividas?)

Há dias em que estou tão cheio de mim.
Há dias em que me canso da minha ânsia, sem conseguir deixar de a ter.
Há dias...


Adormece

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Olhando para a folha branca,
tanta frase que não sai.
Nem um riso nem um ai
se desenham pela minha mão

E eu cheio de intenção
cantaria como um poeta
a história da vida inquieta
do velho vendedor de sonhos.

Reduzo-me a ser feito
da música já bem criada,
das palavras vestidas a preceito
que me fazem correr pela estrada
do pensamento.

E eu tão lento...
Não lhes respondo.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Este quarto,
esta dança,
esta guitarra,
esta luz transparente que agarra
e afaga todos os cantos.

Tão pequenos e ocupam tanto espaço
no regaço onde os levo para todo o lado.

Aqui nada existe,
tudo pode se criado.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

As flores

Aos poucos planto.
planto porque sim,
sem propósito nem fim no horizonte.
Não para ter história que se conte
nem se guarde com orgulho.
Falsas-paixões são entulho
que fere o sentir e a vista.

É bom que se insista que planto
não para afagar o pranto
de sêr jardineiro desde que eu sou eu.
(que é belo ser assim jardineiro
sonhando incondicionalmente)
Apenas prezo sentar.me,
como quem sente,
com um sonho pairando
a entreter a mente.
Não como quem se entretem e descarta,
pessoa já farta, deixa sua flor murchar.

Planto.as pela sua cor,
seu aroma trazendo o calor
da soma das viagens pelo sentir.
Vivo.as no que hão de ser e há de vir
sem que existam para além-mim.
O que será delas no fim?
O fim não vem para as flores,
que para o seu jardineiro
cheiram sempre ás ânsias e dores
de quem não tem canteiro
nem ancinho,
nem se importa de sonhar sozinho.

Passeio.me a caminho de tudo...

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

"E tu Maria diz.me onde andas tu
qual de nós faltou hoje ao rendez-vous
qual de nós viu a noite
até ser já quase de dia
é tarde, Maria
toda a gente passou horas
em que andou desencontrado
como à espera de um comboio
na paragem do autocarro."

Sérgio Godinho

(onde andas? desencontramo.nos la no alto)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

De aí de longe

partilha comigo aquele silêncio confortável,
silêncio que poisa só porque o sabemos poder
ter sem razão ou mal ao mundo.

o silêncio do segundo
em que se dançou.
que lá fora nada mudou.
ninguém o achou e fez dele revolução.

não se faz pão e vinho dele, não.
não se faz música sozinho com ele, não.

não te dirá nada se não for a vontade.
o silêncio não é verdade
que se tome à letra.

silêncio soalheiro,
soprado pelo meio de ruas cheias.

(para quem já não sei chamar, para la do irreal)
(da irrealidade da sua presença)